Gatsby

November 09 [Sat], 2013, 9:12


E de repente, eu fiquei louca por Gatsby. Havia assistido ao filme tantas vezes que eu havia decorado todas as falas. Mas o livro mesmo, pobre de mim; nunca havia tocado nem em uma página. Eu me mordia de curiosidade, tanto que tentei descobrir o que F. Scott escreveu e anotei minhas especulações num caderno, seguindo todas as cenas do filme, segundo por segundo, fato por fato, e tinha a certeza de que a história original era incomparavelmente melhor que a adaptação para cinema.
Foi em uma visita casual à livraria que eu o vi em uma das últimas prateleiras. Parecia um sonho, mas eu o via, era real. Corri até a prateleira e toquei, pela primeira vez, no verdadeiro Gatsby. Entrei em um estado de êxtase tão grande que eu fiquei admirando a capa por mais de dois minutos, e então o abri.
Não existem palavras para definir o que senti. Como se fosse uma fonte rara de alegria, meu coração bateu tão forte que tive a certeza de que me apaixonei por aqueles parágrafos maravilhosos. Li tudo como um gato faminto que encontrara um farto peixe no lixo. Cada letra brilhava tanto quanto o ouro dos meus anéis, e eu obviamente não pude ler todo o livro naquele momento - para o meu desespero, aquele pequeno baú de tesouros ainda não me pertencia.
Não me pertencia perante às leis, que dizem que algo só pode ser meu se eu pagar por isso. Mas eu sabia que aquela é a minha preciosidade, e que nenhum outro ser o teria. Era meu, somente meu, e de mais ninguém, eu não poderia perdê-lo. O escondi dentro da própria livraria; procurei pelo mais discreto canto da prateleira e o deixei lá, prometendo a minha volta. Eu o amava assim como Jay amava Daisy, um amor otimista e mantido por esperanças e promessas.
Por que um livro tem a capacidade de fazer com que eu me apaixone por eles? O que ele tem para me fazer desejar tê-lo em mãos? São perguntas das quais não pretendo responder. Livros são objetos divinos e encantados, não precisam de uma explicação, mas são companheiros leais e mais que confiáveis, os únicos amantes em que posso depositar todo o meu amor sem medo de ser traída ou abandonada.

A Praga

July 19 [Fri], 2013, 6:51


Existe uma praga que até hoje não descobriram a cura, nem a causa, muito menos a prevenção. É apelidada de "morte".
No momento, um surto de morte está me amedrontando. Uma infinidade de pessoas foram contagiadas em menos de duas semanas, e todas elas eram pessoas que eu conhecia, a maioria, extremamente admiradas por mim. Elas entraram num estado paralítico, de corpo, alma e mente, não respiram, e não voltam mais ao normal. Como é incurável, simplesmente deixam os corpos doentes debaixo da terra.
E por que isso causa tanta dor? Talvez porque as pessoas são retiradas de nossas vidas à força. E por que tem que ser assim? Só Deus sabe. A praga atinge a milhares de pessoas em pouquíssimos segundos, e é inevitável - mas por que tão rápida?
Quem começou com isso e quem foi o primeiro doente? Quem nos expõe ao seu risco e quem nos obriga a experimentar esse sofrimento? Não existe resposta para essas perguntas. Temos de aceitar e seguir em frente.
Que um dia a praga nos contagia.

Voando sem asas

June 03 [Mon], 2013, 4:41


Noite passada eu tive um sonho
Nele eu segurava um elástico
Branco e cintilante, e longo
Num lugar escuro, e sozinha
Segurei nele e pulei para o ar

Eu senti o vento bater contra meu corpo
Enquanto rodopiava simultaneamente
Como uma bailarina de caixinha de música
Mas no ar, sem sentir o chão
Abaixo das pontas dos dedos do pé

O elástico me puxou para cima
Como se soubesse que eu desejava
Ir mais alto
Quando chegou a um extremo
Me jogou de volta para o chão
Em um rodopio vertical

Ao tocar o chão com os pés
Corri com o elástico preso na mão
E me joguei para o outro lado
Dançando incansavelmente contra a brisa
Livre, leve e solta

Outro elástico veio para mim
Cada braço se prendeu em um
E voei para o alto
Como uma borboleta saindo do casulo
Me coloquei de cabeça para baixo
Sentindo o frio na barriga descer

Então me lembrei que não era um sonho
Mas de tão perfeito
Parecia irreal
Dançar pelos ares e voar sem asas

Era o presente que o circo
Deixara para mim
A libertação
A magia
A emoção
De viver o impossível

Parte do seu mundo

March 22 [Fri], 2013, 7:22


Ainda que esteja longe do meu alcance
Prefiro continuar sozinha pelo resto da vida
A deixar de te amar
Se ouvimos o som das ondas
Através das conchas da praia
Poderão ouvir teu nome
Pelas batidas do meu coração

Ainda que esteja distante
Sinto aqui a tua dor
Teu sofrimento e alegria
Como se estivesse ao meu lado
Como se um fio me unisse a ti

Mesmo se eu tiver de atravessar o oceano,
Abandonar minhas nações
E dizer adeus a tudo o que me criou
Eu sei que um dia ficarei junto a ti
E assim ficaremos
Até a eternidade

Dessa forma, todos os dias
Todas as manhãs
Veremos juntos o nascer do sol
De forma que, anteriormente
Adormeci em teu peito
Coberta pelo manto luminoso das estrelas

Sonhar nunca é demais
E se quem acredita sempre alcança
Logo estarei vendo o seu sorriso
Diariamente, eu espero
Quero ser nada mais que
Parte do seu mundo

Desejo de liberdade

March 16 [Sat], 2013, 23:25


Ás vezes, tenho vontade de fugir dessa prisão capitalista do mundo urbano, onde todos são escravos do dinheiro, onde o homem é possuído pela ganância e avareza. Quero fugir para longe desse horror.
Eu desejo correr pela floresta ás vezes, e quero ser abraçada pelo vento. Já pensou o quão maravilhoso seria se eu acordasse sentindo o cheiro das novas rosas que nasceram pela manhã? O doce aroma da paz, longe dos problemas da cidade.
E que vida saudável eu teria, se eu me alimentasse apenas dos frutos retirados diretamente da natureza. Sim, eu viveria longe da comunicação e eu poderia até perder as notícias do mundo; mas eu sei que eu seria feliz. Eu buscaria a tranquilidade, e a encontraria.
Eu teria um planetário real durante a noite; eu veria todas as constelações de estrelas que existem no céu, cada ponto de luz prateada do universo, uma observação astronômica ao som do canto noturno dos grilos.
Eu voaria; eu me libertaria; eu viveria; eu seria feliz se a natureza fosse minha vizinha. E eu aspiro cada vez mais esse desejo de liberdade.
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